O esporte e a sociedade

por Diogo de Barros Souza

Quase sempre as atitudes dos atletas servem de exemplo positivo ou negativo para a sociedade. A partir de um ato “limpo” ou “sujo”,
o caráter de um atleta passa a ser julgado por todos. E assim, gera respeito ou discórdia por parte dos fãs de esporte e da mídia também. O gol ilegal do atacante Jô do Corinthians, na partida contra o Vasco, no último domingo, retratou bem a perseguição moral que os atletas precisam lidar todos os dias. Deveria ser apenas um jogo, mas não é, existe um julgamento moral por tudo aquilo que os atletas representam para a sociedade.

Já vi muitos gols e lances ilegais, mas a proporção do gol de Jô aumentou por outro fato ocorrido no início do ano, quando o atacante foi envolvido em um raro momento de “fair play”, o árbitro daquela partida anotou um cartão amarelo contra ele, mas Rodrigo Caio, zagueiro do São Paulo, envolvido no lance, informou ao árbitro que ele sim havia pisado no goleiro da sua equipe, após isso, o árbitro anulou o cartão amarelo de Jô. A partir desse lance, muitos aplaudiram a atitude do jogador do São Paulo, inclusive o próprio Jô.

Na época, todos viram aquilo como um ato exemplar, que fugiu do âmbito esportivo, pois entenderam que se tratava de um ato moral. De fato foi e sempre será lembrado, principalmente pela consideração de Jô, era de se esperar que ele repetisse tal atitude quando tivesse a oportunidade, mas não foi isso que aconteceu. Após a partida e ao ser perguntado se a bola realmente bateu na sua mão antes de entrar no gol, o atacante disse que não sentiu ela bater no seu braço e que não podia afirmar se houve toque ou não.

O fato é que o futebol precisa se modernizar, não importa se o Jô foi ético ou não. A CBF em um ato de desespero sinalizou o início do árbitro de vídeo, já na próxima rodada do Campeonato Brasileiro. A hipocrisia está em toda parte, o esporte e a sociedade possuem essa relação para sempre que possível ter a vantagem ao seu lado. Deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo é o que todo cidadão de bem quer, mas é preciso ter consciência dos seus atos.

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